Imagem capa - Pai de Menina por Janine Araujo Fotografia
Família

Pai de Menina

Ahhh a fotografia de família, como eu amo esses registros... é o tipo de fotografia que fica melhor e mais valiosa com o tempo, afinal o tempo passa e como dá saudades desses "pequenos momentos de felicidade". Que bom que as fotografias tem o poder de nos levar a viajar pelo tempo. Tenho um carinho enorme por este ensaio, já faz quase 3 anos que passei algumas horas registrando essa família digamos que "não convencional" nos modelos de fotografia de família, pois estamos falando aqui de um pai e uma filha, mas garanto que tem muito amor envolvido. E para resgatar então este momento eu vou compartilhar aqui o depoimento do Fabrízio, sobre o que é ser pai de menina já que ele tem feito palestras e encontros sobre este tema, nada mais verdadeiro do que suas próprias palavras.



Pai de Menina | por Fabrízio Marangoni




"Nos treinamentos que eu facilito nas empresas ao redor do Brasil, eu costumo dizer que o meu melhor projeto é ser PAI. Tenho diversas competências técnicas, mas ser pai ativo me eleva a uma outra categoria. Ainda mais sendo pai de menina.


Sim, ser pai de menina é um desafio diferente que tive certeza ao caminhar num shopping no Chile (somente com ela, numa viagem só nossa) e ser criticado por uma pessoa por eu estar usando o banheiro de cadeirantes. Não existia aquele banheiro para família. Eu encaro o banheiro especial para quem está numa situação especial. E eu, homem, com uma menina de 5 anos que precisava de ajuda para fazer suas necessidades, me vejo na dúvida entre entrar com ela no banheiro masculino e torcer para ninguém estar no mictório ou proteger minha filha a levá-la a um banheiro no qual eu poderia dar todo o atendimento especial que ela merecia (e precisava, pela idade).


Quando minha filha nasceu, eu já tinha um pouco mais de 30 anos e casado há algum tempo, e eu escolhi conscientemente ser pai. A mulher ao engravidar se torna mãe, mas o pai só nasce com o real nascimento do filho. E a ficha vai caindo aos poucos, sobre o que seria esse papel. 



As meninas são educadas com as suas bonecas, mas nos meninos-crescidos ficam perdidos com esse papel de pai. Aliás, quando a criança vai para casa, o pai não tem função alguma. Em um ambiente normalmente muito feminino, onde mães, avós e cuidadoras dominam a cena, a figura masculina quase agride com a sua força (“segura com calma essa criança”), barba áspera (“cuidado para não arranhar o bebê”) e falta de sintonia fina (“deixa aqui que eu troco essa fralda”). O homem precisa escolher muito bem o papel de ser pai, uma função para a vida toda.


Gerações passadas de homens simplesmente não tinham essa opção. Aprenderam com seus pais a serem provedores e que esse cuidado com as crianças seria da mãe. Na minha geração, já era esperado, mas muitos ainda se esquivavam dessa escolha.


E eu ainda tive a sorte de ser pai de menina. O carinho é absurdamente grande, proporcional à diversão. O fato de nunca haver brincado das coisas que tipicamente ela deveria brincar nos coloca desconfortável de início. Por isso que eu digo que é uma escolha. O pai pode fugir e se esconder por trás de um monte de desculpas, ou simplesmente mergulhar. E como é bom esse mergulho.


Enquanto estava casado, eu já fazia passeios exclusivos com minha filha, para deixar a mãe dela ir ao salão de beleza ou simplesmente dormir durante a tarde no final de semana. Sempre me virei e aprendi como ninguém a planejar a bolsa com os itens necessários para as incursões pai-e-filha (que hoje nos servem para idas ao parque, cinema e viagens). Museus por exemplo sempre foram o nosso refúgio, e acredito que tenha influenciado para ela gostar de descobertas. E isso foi fundamental quando me separei, pois esse vínculo já estava formado e fortificado. Eu não ficaria naquela imagem batida do pai que leva a criança para comer fast food por simplesmente não saber o que fazer com ela.


Eu mesmo preparo o café da manhã dela quando estamos juntos, com framboesas para colorir o dia, ou permitindo uma bagunça no quarto. A energia de uma criança pulando na cama é algo delicioso de se ver e estar junto.




São essas escolhas conscientes que nos permitem, em seguida, dar o melhor de nós. Isso vale para todos os aspectos da nossa vida. Quando escolhi me tornar coach por já trabalhar com desenvolvimento humano há muitos anos, também fiz uma escolha consciente. Consultor de Recursos Humanos, Treinador de empresas, escritor, colunista, ..., enfim. São muitas escolhas, que dão medo e não saberia dizer exatamente onde me levarão. Mas a direção está escolhida.


E todas essas escolhas profissionais me tornam uma pessoa muito melhor pois eu estou atento ao que verdadeiramente me interessa e me motiva. E dentre tantas características bacanas que eu tenho para poder exercer tantos papéis, a que melhor me descreve como pessoa é que eu sou PAI. Pai de menina."




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